O Poço vai além de nossa compreensão!

     Filme extremamente metafórico e ao mesmo tempo tão real, abordado de forma alarmante e visceral. 

 O Poço se trata nas entrelinhas de uma triste e horrível realidade, um retrato cruel do ser humano em nossa sociedade como um todo. Uma escrupulosa crítica social universal. Como o ser humano se comporta qdo se sente por cima e como reage qdo esta por baixo, é talvez a mensagem mais real e escancarada possível do que a obra se propõe a discutir logo no início. Recomendo a todos, mesmo a aqueles de estômago fraco q analisem esta obra de arte com os olhos e a cabeça aberta para ñ julgar o livro pela capa. 

  Parece ser apenas um suspense ou até filme de terror e ficção, mas o drama real é o ponto mais forte em meio a tanta bizarrice.
ESSENCIAL. CRUEL. UM PARADOXO DE SOBREVIVÊNCIA E COMO VIVEMOS NOS PARADIGMAS DE NOSSA SOCIEDADE.


Sabemos q toda ação gera uma reação e toda evolução acontece por alguém q resolve lutar pelos outros e ñ apenas para si mesmo.
Na trama q parece simples, um sujeito que ao contrário da maioria dos outros prisioneiros desse "sistema carcerário" com uma sala com apenas um buraco ao centro q leva a comida aos níveis superiores e inferiores, chega sem saber o q o aguarda, dividindo a "cela" com um senhor q já passou por vários níveis desse poço, q pra sobreviverem comem as sobras de comida de uma mesa de muita comida q se racionada ou se cada nível comesse apenas o suficiente para ñ morrer de fome, talvez chegasse aos níveis inferiores. Resumindo, como ser solidário e sobreviver com o básico e ainda pensando nas outras pessoas, em uma clara crítica sobre nosso individualismo. Empatia. Pensamento coletivo.


Mas não são apenas essas camadas que o filme aborda ou toca em questionamentos plurais de nossa sociedade como um todo, pois o filme nada mais é q uma fábula, onde se ñ nos desligarmos um pouco das coisas q achamos reais em nosso dia a dia, ñ captamos as diversas mensagens,  metáforas e analogias q a obra aborda, pra termos um entendimento mais aprofundado q sua superfície dos fatos q nos são mostrados, mesmo assim, são perturbadores, mas inacreditavelmente reais, basta colocarmos seres humanos dentro daquela situação, para acharmos q poderia de fato acontecer... e até pior.

O polêmico final deixa sim, muita gente a ver navios por não entender a complexidade da obra q apesar de descritiva em alguns momentos nos faz refletir sobre os reais motivos das ações desses personagens e a situação do q poderia ou ñ poderia ser. Mas ñ entender direito esse final com essa dubiedade q torna a obra mais intrigante. Esse final emblemático e aparentemente sem explicação talvez seja muito mais explicativo do q achamos, pois esta na nossa frente, mas por vivermos na ilusão do personagem central que já começamos o filme sabendo q ao ir pra este lugar o seu objeto escolhido foi um livro, e ñ qualquer livro, mas sim o clássico "Dom Quixote" de Miguel De Cervantes, pois quem conhece a obra pode chegar a uma conclusão bem mais ampla de um personagem que vive enfrentando seus moinhos de vento ao invés de encarar a triste e verdadeira realidade dos fatos que o cercam.

 
Em 1998 o cineasta Andrew Niccol discutiu em "O Show de Trumam" o fato de q cada um acredita e aceita a realidade em que vive, até o momento de reflexão que começa a questionar isso e se rebelar contra o sistema, mas q nem todos tem a coragem de lutar contra isso, a maioria se acomoda e aceita, dai vivemos em uma sociedade comandada pelo capitalismo e socialismo e tudo acaba sendo um jogo de interesses pessoais e políticos. A mais pura realidade esta no atual momento em que vivemos hj em meio a uma pandemia onde grande parte só esta mesmo preocupada consigo mesmo, assim como em "O Poço", pois se o outro morrer sobra mais pra si, isso se vc ñ tiver q matar o outro pra sobreviver, de acordo com quem pode mais na cadeia alimentar. Dê o poder a uma pessoa e saberemos quem ela realmente é.

Destaque para a originalidade e direção precisa do iniciante diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, vencedor do Goya como diretor estreante logo de cara em seu primeiro filme e já acumular dois de melhor roteiro para os roteiristas David Desola e Pedro Rivero.

  Com isso finalizo está resenha com uma dissertação mostrada no filme cunhada no livro de Cervantes, muito parecida com a parábola bíblica do rico avarento e Lázaro:
"Um grande homem vicioso será um grande exemplo de vício, e um rico ñ generoso será um avarento mendigo, pois o possuidor das riquezas ñ é feliz ao possuí-las, mas ao despendê-las, e não ao gastá-las como quiser mas qdo as emprega bem."

NOTA: *****

PS: Também ñ acho q seja coincidência o personagem central ter nome de comida (assim como outros) e se parecer com o próprio Dom Quixote.


Por Will Nygma 

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