Chorar de Rir faz Leandro Hassum se levar a sério com muito humor!

 A alguns dias atrás estava me perguntando o que teria acontecido com as grandes comédias do cinema, ou as que de fato nos fazem rir de verdade e que assumam essa difícil arte que é a de fazer rir. Mas rir de verdade. Não só o cinema, mas as séries de tv ultimamente também se tornaram sérias de mais, o que é bom até certo ponto, usar o humor pra falar de assuntos sérios e não apenas para fazer o expectador rir histericamente de maneira pretenciosa com piadas em cima de piadas e cair nos clichês ou mesmo no pastelão. Mas hoje em dia se o filme não é idiota ao extremo, se apega ao drama pra fazer graça e se leva a sério de mais o que faz a graça passar longe nos fazendo sentir pena dos personagens e as vezes de nós mesmos, no lugar de nos divertirmos.

Leandro Hassum e sua divertida família e empresário que também é seu cunhado. 

 Em "Chorar de Rir", parece que finalmente temos um exemplo clássico de uma ótima maneira de fazer rir, com um humor físico, piegas as vezes, repleto de referências ao próprio gênero e ainda assim passar uma mensagem positiva. Afinal, quando escolhemos uma comédia pra assistir estamos afim de nos divertir e principalmente, rir. O mais interessante de tudo isso é que o roteiro faz uma crítica exacerbada a exatamente este fato. Pois se fazer humor no Brasil principalmente se tornou piegas e depois dos teatros estarem infestados de humoristas da comédia stand up, gênero que já era muito divagado no exterior, principalmente nos E.U.A., mas que de uns anos pra cá deram uma alavancada no Brasil como se fosse uma grande novidade, deixando o verdadeiro teatro cada vez mais a ver navios. Tanto que acabou se criando um estigma desnecessário entre os atores raiz que vivem de sua arte e os humoristas da arte do comédia em pé, que inclusive é o grande motim para o programa "Chorar de Rir" do personagem de Hassum, que dá título ao filme.

Ser ou não ser? Eis a questão!

 Envolto a esta super valorização e toda a fama e atenção que isso gera em cima de um artista, o filme mostra justamente o momento que este ator passa por se descobrir novamente se o que esta fazendo é de fato o que ele queria, ou se é apenas uma vítima do próprio sistema que o consagrou.


 Na tentativa desesperada de ser levado a sério no mundo artístico, ele se vê diante de um dilema tão profundo quanto o de "Hamlet" de Willian Sheakspeare, ser ou não ser? Uma peça aliás que ele resolve montar e sair de seu programa de sucesso no auge de sua carreira após ganhar o prêmio de melhor comediante e jogar tudo pro alto e investir na sua própria produção teatral, o que também mostra um lado desse fatídico dilema que os artistas que vivem de teatro enfrentam, com a falta de investidores e como a mídia sensacionalista encara isso. 

O sempre brilhante Fulvio Estefanini, veterano que funciona muito bem no cinema. 

 Mas apesar de nas entrelinhas o filme abordar essas e outras  diversas questões que beiram a tragédia, o filme opta por existir em seu ambiente cômico e desanda para a comédia sem pestanejar, usando e abusando de seus clichês e o melhor, sem medo de arriscar ou ser feliz, pois é ai que moraria o perigo se fossem querer assumir o fardo do personagem, ou seja, se levar a sério, o que não acontece e o roteiro opta em partir para o lúdico em momentos bem divertidos, somados a uma singela fotografia, atores de calibre, ótimos comediantes como escada para Leandro Hassum fazer o que ele faz e muito bem, além de participações especiais com destaque para Fulvio Estefanini e até mesmo Sidney Magal, como sempre impagável, entre outras participações especiais ao longo do filme que se contar estraga a piada.  

Sidney Magal, a prova viva da versatilidade abrilhantando o filme.

  O filme ri de si mesmo e faz com que o próprio protagonista faça piada consigo mesmo, mas sem perder o conflito interno, além de mostrar de maneira lúdica e metafórica os dramas do mundo do teatro, a construção de um personagem e os dilemas que os atores vivem, que claro, os que vivem dessa arte vão se identificar bem mais e captar as críticas e referências, mas os mais atentos vão captar as diversas homenagens ao gênero como "Os Irmãos Cara de Pau" dos comediantes John Belush e Dan Arkroid, "Cantando na Chuva" de Gene Kelly, Jerry Lewis, Jim Carrey, Robin Willians, Bill Murray, entre outros e satirizar os próprios personagens que Leandro Hassum criou ao longo dos anos ao lado de seus companheiros de trabalho, além de se renovar e mostrar seu lado dramático mais uma vez, uma mudança gradativa que vem acontecendo ao longo dos anos, como de seu último filme, o remake de "Não se Aceitam Devoluções".
 Se o cinema estava levando a comédia a sério de mais, Chorar de Rir emociona e nos faz ver que podemos chorar sim, vendo uma comédia, mas que também não vamos deixar de rir e nisso o filme acerta em cheio.


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Por Will Nygma.

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