Não Se Aceitam Devoluções mostra que Leandro Hassum é mais que um comediante!


 Sabe aquele típico filme que você começa a assistir esperando que vá dar muita risada e acaba se emocionando tanto a ponto de chorar? Estão diante de un desses filmes, que não peca por isso, pelo contrário, acrescenta a uma comédia bem familia, de uma maneira não muito convencional, mas de ótimas mensagens a serem passadas, que também diverte em um clima que pode até em certos momentos beirar ao pastelão, principalmente em se tratando de Leandro Hassum, mas aqui o filme ousa, e também o comediante de mostrar que suas facetas vão além do humor físico e caretas.

 Assim como  o icônico Jim Carrey, Leandro Hassum terá ainda dificuldades perante ao público de se mostrar de fato que também é um grande ator, e assim como Jim Carrey tentou a sorte mudando de ares em "O Pentelho", que era um misto de comédia de humor negro, drama e suspense, sem sair tanto do gênero que o consagrou para a mudança não ser tão drástica, onde o tiro saiu pela culatra e nem todo o público entendeu, apesar do filme ser muito inteligente. Nosso astro Leandro Hassun passa pelo mesmo problema nesse filme. Jim Carrey mesmo, só conseguiu se provar um ator sério depois de O Show de Trumam que lhe rendeu o Globo de Ouro e depois mais ainda em Cine Majestic. 
 "Não Se Aceitam Devoluções" se trata de um remake, uma versão brasileira de um filme de 2014 do mexicano Eugenio Derbez, que também ganhou outras versões em outros países. Na versão brasileira o filme parece não acrescentar muito do original, pois percebemos que ele de fato tem uma linguagen bem recorrente de filmes do gênero, o que não é problema algum nisso, proporcionando referências e homenagens a filmes como "Três Solteirões e Um Bebê", "Olha Quem Está Falando" entre outros, além do fato de nosso protagonista trabalhar nos estúdios da Fox Filmes o que rende muitos easter eggs, mas também adaptando para a nossa realidade brasileira. 

 Apesar de alguns deslizes no roteiro ou na montagem e direção, em certos momentos o filme da uma sambada não deixando claro se é uma comédia ou um drama que alguns momentos parece soar esteriotipado e exagerado, mas a medida que a história avança, vamos nos envolvendo mais com os personagens e isso passa a não ter mais importância, pois os personagens acabam nos cativando. Ainda mais quando somos apresentados para um personagem nada corajoso que vai parar em um set de filmes de Hollywood, trabalhando como dublê, mesmo sem saber falar nada de inglês, e isso talvez seja uma crítica também do nosso jeitinho brasileiro, além de acomodado depois de viver 6 anos no país sem aprender falar o idioma local. 

 Leandro Hassum entrega aqui uma ótima atuação, sem deixar de fazer graça onde necessário,  pois brincar com as crianças e a platéia ele tira de letra, ainda mais no papel de um pai solteiro que acaba de receber um bebê nos braços de uma namoradinha que não via a 2 anos, deixando a criança em seus cuidados sem aviso e sumindo para os Estados Unidos, fazendo com que o pai  de primeira viagem perdido nessa história toda vá atrás da mãe para tentar devolver a "encomenda" e acaba preso em um pais sem dominar o idioma e tendo de se virar nos 30 pra cuidar da criança o que acaba o tornando um ótimo, amoroso e divertido pai, talvez o que toda criança gostaria de ter. Contar mais é estragar a experiência e acabar com todas as surpresas que o filme proporciona.

 O melhor do filme, além da bebê que rouba a cena com sua expressividade, é o personagem do ator Jarbas Homem de Mello (dos musicais Chaplin e Cabareth), que talvez seja a persona mais segura, pois muitos ali dão uma patinada que pode deixar a platéia confusa em alguns momentos, mas Jarbas é o que pontua tudo isso entrando e saindo na hora certa fazendo o personagem mais realista e convincente de todo o filme, servindo de uma ótima escada para os protagonistas poderem brilhar, mas quando ele esta em cena quem brilha mesmo é ele, mas acaba dando o suporte para Leandro Hassun e o restante do elenco e até figurantes se mostrarem confortáveis além de seu personagem oscilar entre o inglês, português e espanhol sem perder a linha e nem beirar a canastrice. Outro que participa do filme também é o ator e cantor Zéu Britto (Saneamento Básico: O Filme) que apesar do pouco tempo em cena, é sempre de uma peculiaridade impar que renderia uma ótima dupla para Hassum.

 A história é universal e mostra o quão maldosa pode ser uma mulher ao tomar certas atitudes como a dessa que se diz mãe apenas por ter carregado um filho 9 meses na barriga, o que deveria ser uma bença a tornando um ser equivocado e arrogante apenas pelo fato de se sentir dona de alguém por isso depois de largar um filho desta maneira, pois apesar de absurda a situação é uma triste realidade bem recorrente. Contar mais seria estragar o prazer de se divertir, aprender e se comover com essa belíssina história e até mesmo crítica social e inversão de valores de toda uma sociedade que não se restringe ao Brasil. Bom filme.
Confira o trailer e depois corra para o cinema pra conferir essa divertida e emocionante comédia!

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