Dumbo ganha vida pelo visionário Tim Burton que estende o clássico em um grande espetáculo!

  Tim Burton é um dos diretores populares mais conceituais e de identidade única fazendo com que até os leigos captam a essência de suas obras, mesmo quando se tratam de remakes como A Fantástica Fábrica de Chocolates, Alice no País das Maravilhas e até o musical Sweeney Toddy O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, que ganharam versões bem sombrias nas telas pelo diretor e sua equipe e sempre com a brilhante e arrepiante e fantasmagórica trilha sonora arranjada pelo maestro Danny Elfman (ex integrante da banda Oingo Boingo nos anos 80), q imortalizou suas trilhas nos filmes do Batman de Tim Burton e a abertura de Os Simpsons, dando o tom melancólico, fantasioso e tenebroso a mais nova empreitada, adaptar o clássico Dumbo, sobre o meigo elefantinho da Disney que encantou o mundo em 1948.

 Pode parecer que não, mas a história tinha todos os elementos que Burton aborda e adora trabalhar em suas obras, pois apesar da fofura do animalzinho e o colorido da obra, são materiais cheios de melancolia sobre um elefante rejeitado por todos ao nascer com enormes orelhas, ser alvo de piadas e ser afastado de sua mãe e ainda ter de continuar o show trabalhando em um circo que passa por dificuldades.

 O longa animado explorava o universo sobre a visão dos animais e os humanos eram meros coadjuvantes, cheios de passagens poéticas e um ratinho falante q conduzia a história no segundo momento do filme, pois os diálogos era o que menos importava ali. Aqui, apesar do camundongo Timóteo aparecer, não é ele que conduz o expectador pela triste realidade de Dumbo, um filhote q acaba de ficar sozinho sem a presença da mãe em um mundo ainda incompreendido pela criatura.

 Para o filme Tim Burton e os roteiristas optaram em apresentar novamente o personagem sob uma outra ótica, que é a das duas crianças filhas de outro personagem criado especificamente para o filme, papel que caiu muito bem para Colin Farrel, fazendo uma analogia humana ao próprio Dumbo no filme.

 O fantástico e sempre brilhante Danny De Vito é o melhor do filme, representando o dono do circo, personagem carismático que já existia na história original mas que aqui ganha maior destaque, seus momentos no filme são espetáculos à parte.

 Além de reapresentar a história de Dumbo com todos os elementos e a essência do longa animado, o foco do roteiro não é apenas esses já conhecidos do público saudosista, mas sim dar continuidade a sua história e é exatamente ai que o filme se torna um atrativo a mais e encanta de uma maneira mais divertida ainda, mostrando não apenas novos personagens, mas dando continuidade aos momentos do clássico original que acabava com aquele gostinho de quero mais, e isso acontece no longa.

 Michael Keaton, queridinho do diretor q deu vida ao Batman (1989) de Tim Burton dando um pontapé inicial para toda leva de filmes de super heróis no cinema posteriormente, interpreta desta vez o vilão da história, invertendo os papéis com Danny De Vito, quando se enfrentaram como Batman e Pinguím em Batman O Retorno, que também tinha o circo como pano de fundo, q inclusive De Vito também já havia feito outro apresentador e dono de circo em Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas, também de Tim Burton, mas é incrível como o personagem personificado por Danny não tem nenhuma semelhança em suas construções.
Já Michael Keaton personifica muito bem o vilão em Dumbo, mesmo sendo conhecido mais por seus papéis de mocinho e os cômicos como em Bettlejuice e Os Fantasmas Se Divertem, o icônico Birdman, apesar de fazer dois grandes vilões como em Medidas Desesperadas e recentemente como o Abutre de Homem Aranha De Volta ao Lar. É contagiante ver ele em cena e o que é pior, sabemos que ele não vale nada mas torcemos pra ele no filme mesmo sabendo que Dumbo e toda a trupe vão passar por maus bocados na mão desse ordinário.

 Eva Green é outra que se tornou uma queridinha do diretor e esta aqui bem diferente como de costume, com uma personagem que não seria justo revelar muito para não estragar as surpresas do filme. Mas uma personagem bem distinta da Senhora Pillgreen em O Lar das Crianças Peculiares de Tim Burton.

 O formidavel, Allan Arkin que já fez um filme brasileiro (O Que É Isso Companheiro?) também esta no filme em uma brilhante participação especial e uma das grandes atrações são os números circenses apresentados e toda a magia que encanta com o deslumbre do impossível, o lúdico, mesmo q repleto de efeitos visuais e especiais, transbordam na tela com uma delicadeza tão intensa e hipnotizante, que nos faz rir e se emocionar na mesma intensidade.

 A marca de Tim Burton está lá, com seu clima bucólico, suspense, humor negro, as sombras, algumas bizarrices, mas tudo sem exageros, na medida certa, de maneira leve, penetrante e divertida que não tem como não se arrepiar não apenas por vermos um elefante voar, mas pelas sutilezas e referências e homenagens que o filme faz ao mundo do cinema, a tecnologia, a arte, o teatro, a música e ao fantástico mundo do circo. Um filme artístico a altura de um grande e cativante personagem. A vontade que temos é mesmo de sair do cinema e comprar uma pelúcia do Dumbo para ter em casa, mesmo que essa seja uma das principais críticas ácidas que Tim Burton faz ao mundo do showbusiness além de um grande espetáculo visual para ser deslumbrado em uma boa sala de cinema. *****
Emocionante!

Os elefantes são companheiros,  protegem uns aos outros e tem uma memória e carinho sem igual, que os seres humanos deveriam aprender muito com eles, e esta é uma das mensagens mais marcantes do filme. 

Nada é impossível.
Acredite!

Por Will Nygma

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